• Outro dia, numa conversa em um grupo de amigas muito queridas, falávamos sobre o envelhecer…

    Na verdade, muito mais sobre aspectos físicos e principalmente o quanto sentimos que depois de algum tempo nosso corpo não responde mais da mesma forma que respondia antes.

    Nessa roda de conversa virtual, ouvi que “envelhecer era sacanagem” e de alguma forma algum incômodo essa frase me gerou.

    Nada em relação a minha amiga, se sentir assim é legítimo, provavelmente o tempo e o que vem com ele podem incomodar…

    E as vezes incomodam bastante, não é mesmo?

    Ruguinhas, metabolismo, protetor solar, cansaço X disposição e por aí vai… Outro dia até mesmo a minha mãe reclamou de achar sua  voz mais envelhecida.

    Puts! Que difícil!

    Fico pensando como é doloroso viver as transições da vida e o que elas trazem? A propósito, questionamentos como esse são feitos a todo momento por qualquer ser humano que respira!

    Cabelos brancos, esquecimento, fotos antigas, aniversários, viradas de ano, filhos que crescem, relógios, calendários, etc… Somos bombardeados a todo momento por estímulos que nos lembram que o tempo passa.

    Ah! E como passa!

    Quantas perdas, quantas mudanças, quantos recomeços… E essas transformações muitas vezes podem não ser tranquilas…

    Por outro lado, talvez não nos demos conta de quantas melhorias o tempo pode nos trazer.

    Ao ouvir que envelhecer não era legal, fiquei pensando no meu processo.

    Afinal de contas, todos estamos nesse processo, não é mesmo?

    Pois é, todos os dias, horas, minutos e segundos ficamos mais velhos; quer dizer eu fico mais velha.

    Como é complicado até me colocar em primeira pessoa.

    E o que mais vem com esse processo?

    Pensando com meus botões, percebo como gosto mais de mim hoje que há 10 ou 20 anos atrás…

    Como sou mais tolerante, paciente, consciente com tudo e todos…

    Cresci, vivi, experienciei, chorei, caí, levantei e venho envelheSENDO. Tudo junto e cheio de significado!

     

    Ao longo de três décadas morei em quatro cidades diferentes, visitei alguns países, casei, separei, fiz um montão de cursos, contei muitas histórias, atendi alguns clientes, amei…

    Ah! Como amei, desamei também!

    Aprendi que nem toda relação é pra ser de intimidade, e inclusive para algumas precisamos de uma certa distância de segurança…

    Arrisquei, me lancei e também me protegi…

    Penso, hoje, que as marcas do tempo também refletem um pouco disso.

    As vezes um sinal de expressão pode ser a representação de tantas boas experiências vividas e olhar sob essa perspectiva nos faz até ter orgulho desses sinais…

    Nada contra aqueles que se incomodam e tentam removê-los, mas talvez a nossa relação com tudo isso poderia ser diferente…

    Olhar com apreço para a nossa história pode nos dar mais empatia às marcas do tempo.

    Além disso, a lembrança desse tempo que passa pode nos estimular a viver o hoje com mais sentido.

    Se vivermos bem o presente, envelhenSENDO mais, talvez não precisaremos nos preocupar tanto com o futuro  e suas marcas, pois o valor das experiências do SER fará toda a diferença no nosso processo…

  • 3 comments

    Muito bom texto!

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    Excelente, muito explicativo, reflexivo e verdadeiro. Parabéns!!!

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    Nossa quanta verdade neste texto. Estou aqui pensando e analisando passo a passo todo esse processo de tempo. Tempo que muda, tempo chega, tempo que passa, tempo transforma, tempo que deixa lembranças, tempo de viver sempre a vida e viver bem.... Obrigada por me ajudar a perceber o tempo, na transformação do corpo.

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