• O mês de janeiro de 2017 está quase acabando, mas em tempos de tanto adoecimento psíquico/emocional é importante fazermos menção ao Janeiro Branco.

    Mas Janeiro Branco? O que é isso?

    O “Janeiro Branco” é uma campanha iniciada por psicólogos que tem o objetivo de mobilizar a sociedade em prol da saúde mental.

    E como funciona essa proposta?

    A campanha busca mostrar às pessoas que elas podem se comprometer com a construção de uma vida mais feliz para si mesmas.

    Assume que se podemos cuidar do corpo para o bem-estar da saúde, na sociedade em que estamos inseridos atualmente, torna-se cada vez mais necessário praticarmos uma cultura de cuidados com a mente e com as emoções.

    E quem inventou?

    A campanha surgiu com o psicólogo Leonardo Abrahão, após observar campanhas semelhantes envolvendo outros problemas de saúde e também notar altas taxas de suicídio, depressão e ansiedade divulgadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

    Este mesmo profissional descreve em entrevista que a escolha do mês de janeiro foi estratégica, uma vez que a no momento da virada de ano as pessoas tendem a repensar comportamentos, pensamentos e experiências em relação ao ano que se passou.

    Sim… Tudo parece fazer sentido. Mas qual é mesmo a importância de se falar das emoções?

    Vejamos a algumas estatísticas em nosso país.

    Segundo o relatório da Organização Mundial de Saúde, o Brasil é o 8º país com mais suicídios no mundo.

    Para se ter uma ideia, em termos globais, a cada 40 segundos uma pessoa comete suicídio no mundo.

    Sendo esse mais um enorme problema de saúde pública.

    Outra evidência do tamanho das dificuldades ligadas as questões emocionais são os números relativos a adoecimentos psíquicos como a depressão.

    Atualmente a depressão é uma das principais causas de incapacitação no Brasil.

     

    Desordens como transtornos depressivos e ansiosos não fazem mais distinção de faixa etária, atingindo até mesmo crianças e adolescentes entre cinco e 14 anos.

     

     

    Dados de pesquisas da OMS apontam que cerca de 121 milhões de pessoas sofrem de depressão em todo o mundo.

    E o quê fazer diante de uma condição tão alarmante?

    Na verdade, talvez ações simples possam ter uma eficácia enorme quando falamos de saúde mental.

    Abrir espaço para falar de si, para sentir, para se vulnerabilizar, para dar e receber apoio emocional, são pequenas atitudes poderosas no caminho da saúde mental.

    Pedir ajuda, buscar por auxílio de profissionais quando sintomas começarem a aparecer ou até mesmo antes disso, pode ser uma forma de lidar de modo mais adaptativo e produtivo no contexto da saúde psicológica.

    No livro “A coragem de ser imperfeito”, a cientista social americana Brené Brown ressalta a importância do contato com o outro e do apoio de um outro no processo de vulnerabilidade, colaborando para saúde mental.

     

     

    Ela afirma que “não podemos aprender a ser mais vulneráveis e corajosos por conta própria e que muitas vezes nossa primeira e maior ousadia é simplesmente pedir ajuda”.

    A autora descreve a vulnerabilidade como sendo o centro de todas as emoções e sensações.

     

     

    Vulnerabilidade é incerteza, risco e exposição emocional!

    Mas porque abordar esse tema ao tratarmos de saúde mental?

    Estar vulnerável é estar exposto emocionalmente a qualquer tipo de emoção.

    Nesse sentido, sejam sentimentos que consideramos positivos ou sejam sentimentos que consideramos negativos, são passíveis de serem acessados quando nos colocamos em uma condição de vulnerabilidade.

    Talvez, até mesmo o fato de estar lendo esse artigo, já te possibilita considerar aspectos emocionais e se voltar a uma condição de autopercepção, que em nossa cultura muitas vezes é tão criticado.

    Isso porque, em nossa sociedade, a vulnerabilidade é muitas vezes associada a fraqueza.

    Como exemplo temos falas repetidas, como: “Homem não chora”, “Depressão é falta de ter o que fazer”, “Depressão é doença de rico”, dentre tantas outras.

    Já ouviu alguma dessas?

    Para muitos demonstrar o que eu sinto é sinal de fraqueza. E o contrário é se proteger, é ser forte!

    No entanto, quando guardamos e escondemos nossas emoções em caixinhas, não damos espaço para elas e abafamos pequenos monstros que podem se tornar cada vez maiores e perturbadores em nossas histórias de vida.

    Mas como dar conta de tanta coisa em um mundo que tanto nos cobra, critica e pune?

    O que fazer para se tornar mais forte e conseguir lidar com tantas atividades, pressões e regras a serem seguidas?

    Acredito que valem outros questionamentos diante dos expostos acima:

    • Será que temos de dar conta de tudo isso?
    • Em que temos nos baseado para nos comportar?
    • Qual manual da vida temos seguido?

     

    Estatísticas apontam que o esgotamento físico e mental vem assolando a sociedade de consumo em que nos inserimos.

    O ter ocupa o lugar do ser; assim como o fazer ocupa o lugar do sentir.

    Fazemos, planejamos, executamos e fazemos novamente sem nos dar conta do que de fato queremos.

    Remediamos porque não podemos parar, mas muitas vezes não nos damos conta de que o simples fato de não parar é que nos gera tanto adoecimento, físico, mental e emocional.

    E como fazer diferente?

    A proposta aqui é justamente parar de fazer igual.

    Não existe um manual que nos dê a receita perfeita para cuidar das emoções.

    Convido você a parar por um minutinho, fechar os olhos, respirar profundamente e imaginar o que de fato tornaria sua vida mais feliz?

     

     

    Como seria na sua história de vida relaxar e poder ser menos ansioso?

    Como seria a sua vida se algumas das dificuldades que hoje te incomodam já estivessem resolvidas?

    Exercitar a autopercepção pode ser um caminho promissor para o cuidado das emoções!

    Se chegou até aqui, você já praticou um pouquinho disso.

    Vamos continuar praticando?

     

     

     

    Referências

    • http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2014/09/brasil-e-o-8-pais-com-mais-suicidios-no-mundo-aponta-relatorio-da-oms.html
    • http://janeirobranco.com.br/projeto-janeiro-branco/
    • http://www.correiodeuberlandia.com.br/cidade-e-regiao/janeiro-branco-propoe-reflexao-sobre-saude-mental-e-emocional/
    • http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/pesquisas/pesquisa_resultados.php?id_pesquisa=149
    • http://www.planassiste.mpu.mp.br/news/segundo-oms-121-milhoes-de-pessoas-sofrem-de-depressao-em-todo-o-mundo