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    O termo “Novembro Azul” trata-se de uma campanha de conscientização, inspirada por outras campanhas como “Outubro Rosa”, realizada por entidades, que durante o mês de novembro, conscientizam a sociedade e, principalmente, os homens, em relação a doenças masculinas, priorizando a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de próstata.

    As estatísticas em relação a esse tipo de câncer no Brasil são preocupantes, estimam-se 61.200 casos novos em 2016. Esses valores são correspondentes a um risco estimado de 61,82 casos novos a cada 100 mil homens (INCA, 2016). O que torna a campanha uma intervenção necessária.

    Uma vez que o câncer de próstata é o mais incidente entre os homens em todas as regiões do país, vale a pena um questionamento em relação a esse contexto:

    Quais os possíveis fatores de risco que poderiam contribuir para esse diagnóstico?

    Estudos demonstram que diversos fatores, tais como: idade, raça, nacionalidade, histórico familiar, genes, dieta, obesidade, tabagismo, exposição ocupacional, inflamação da próstata e até as doenças sexualmente transmissíveis podem contribuir para aumentar a incidência desse diagnóstico.

    No entanto, a despeito de lidarmos com variáveis incontroláveis como fatores de risco, por exemplo a nacionalidade, uma vez que não conseguimos alterar o país em que nascemos, a prevenção e o autocuidado são maneiras de minimizar os riscos e até mesmo ter um prognóstico mais promissor, caso seja identificada a doença.

    Tratando-se de um diagnóstico que não apresenta sintomas em sua fase inicial, seus maiores riscos se encontram nesses aspectos, uma vez que é justamente nessa fase que se encontram as maiores chances de cura (Paiva, 2008).

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    Acredita-se, contudo, que a prevenção seria a melhor alternativa no combate ao câncer de próstata.

    Para tanto, o autocuidado masculino torna-se imprescindível, uma vez que é por meio de repertórios simples como realizar visitas ao médico, bem como realização de exames solicitados, periodicamente, que é possível aumentar a chances de descobrir e tratar esse tipo de câncer.

     

    Gomes, Nascimento e Araújo (2007) em estudo sobre a pouca procura dos homens em relação aos serviços de saúde, apontam que o imaginário de ser homem pode prender o masculino em amarras culturais, dificultando à adoção de práticas de autocuidado.

    Regras que pressupõe virilidade, invulnerabilidade e força podem impedir que homens procurem serviços de saúde, uma vez que essa prática pode ser associada à fraqueza, medo e insegurança.

    Desse modo, embora nem sempre façamos associações, é possível que ainda colhamos fruto de uma herança social machista que pode influenciar de forma negativa as práticas de autocuidado masculino.forca-masculina

    Além disso, outras questões, como as econômico-sociais, por exemplo, falta de serviços públicos de qualidade, custo alto em relação a tratamentos de saúde privados, podem interferir na procura por serviços de saúde, em caráter preventivo.

    Em contrapartida, não se cuidar leva o sujeito a estar sob controle de riscos, bem como agravamentos de doenças. A negligência em relação ao próprio corpo e aos cuidados com a saúde pode gerar outras consequências.

    Em se tratando de câncer de próstata, o tratamento precoce previne a progressão da doença e surgimento de metástases (quando o câncer se espalha além do local onde começou para outras partes do corpo).

    Além disso, práticas de autocuidado que auxiliam na prevenção contribuem para minimizar a ocorrência de complicações irreversíveis, que afetam a qualidade de vida do homem após o tratamento específico (Gomes, Nascimento e Araújo, 2007).

    Outra questão relevante seria o fato de que um dos fatores reconhecidamente mais associados ao aumento do câncer de próstata é a idade. Este tumor é raro antes dos 50 anos, com sua incidência duplicando a cada década de vida.

    Tais estatísticas trazem um alerta em relação a importância do autocuidado masculino também na terceira idade.

    Tudo isso no leva a repensar sobre como desconstruir regras sociais que interferem no comportamento das pessoas em relação a se cuidar, desmistificar mitos e até mesmo contribuir para a promoção e o incentivo dessas práticas em prol de uma sociedade que se previne e que seja, por isso, mais saudável.

     

    Referências

    • GOMES, R., NASCIMENTO, E. F., ARAÚJO, F. C. (2007). Por que os homens buscam menos os serviços de saúde do que as mulheres? As explicações de homens com baixa escolaridade e homens com ensino superior. Disponível em < http://www.scielo.br/pdf/%0D/csp/v23n3/15.pdf>.
    • PAIVA, E. P. (2008). Conhecimentos, Atitudes e Práticas acerca da detecção do câncer de próstata. Disponível em < http://www.abennacional.org.br/Trabalhos/Elenir_Pereira_de_Paiva.pdf>
    • Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva [INCA]. (2016). Disponível em < http://www.inca.gov.br/estimativa/2016/sintese-de-resultados-comentarios.asp>.
  • 1 comment

    Importante esse alerta para estimular mudanças.

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