• prisao

    Conta a lenda que “um bandido, se fazendo passar por um alfaiate de terras distantes, diz a um determinado rei que poderia fazer uma roupa muito bonita e cara, mas que apenas as pessoas mais inteligentes e astutas poderiam vê-la. O rei, muito vaidoso, gostou da proposta e pediu ao bandido que fizesse uma roupa dessas para ele.

    Recebeu tesouros em troca do discurso e fingindo tecer fios invisíveis, fez a roupa que todas as pessoas alegavam ver, para não parecerem estúpidas”. No conto o que desmascara o bandido é uma criança, que ao ver o rei desfilar nu pela rua não se contém e grita, anunciando a todos a nudez do monarca.

    rei

    Muitas vezes agimos como a realeza, convencidos por falsos discursos que nos sãos vendidos e nos expõe as mais constrangedoras situações.

    Ficamos cegos, a mercê da inocência infantil ou daqueles que não se convencem facilmente, e não conseguimos perceber claramente a motivação de algumas de nossas atitudes.

    Então para não sair fazendo papel de rei pelado por aí, vamos falar de algumas falsas premissas que podem estar aprisionando muita gente que já possui alguns aninhos a mais na bagagem.

    Dentre as afirmativas que geralmente escutamos por aí, destacam-se falas como:

    • “Sou muito velho para isso! ”
    • “No meu tempo tudo era diferente… ”
    • “Parece que todos me abandonaram… Sinto-me tão sozinho!”

    Tais tipos de discursos podem expressar questões relevantes para a vida da pessoa como desconforto ao entrar em contato com seu processo de envelhecimento, surpresa ao vivenciar situações de uma época diferente da qual viveu a sua juventude e sentimento de solidão diante de um processo de readaptação de sua rotina em face das mudanças da vida.

    É bem verdade que mudanças relacionadas as questões biopsicossociais ocorrem ao longo do processo de longevidade. Tais transformações podem de alguma forma desajustar contextos e experiências que outrora eram desenvolvidas com mais facilidade.

    Para uma pessoa que gosta muito de ler, por exemplo, pode ser extremamente difícil lidar com um grau alto de presbiopia (de modo simplista seria uma dificuldade oftalmológica que se caracteriza como “vista cansada”). Assim o habito da leitura tão importante e significativo em sua história de vida pode ser prejudicado e com o tempo, a dificuldade em aceitá-lo e a opção de não lidar com isso podem até mesmo expor essa pessoa a sensações de desconforto e sentimentos de desvalia, pela perda de algo que outrora fora muito importante em sua vida.

    O acúmulo desse tipo de experiência pode produzir uma sensação de limitação generalizada que se evidencia por falas como “Sou muito velho para isso ou para aquilo”. Contudo o grau de frustração de tais experiências pode ser minimizado se pensarmos nelas e nos propusermos de algum modo a readaptá-las na vida do idoso.

    Mas como assim? Readaptar algo que as vezes não tem jeito?

    Bem dizia Andera em sua música, “Tudo na vida tem jeito”. Repensar a vista cansada pode nos levar a produzir um turbilhão de alternativas para esta dificuldade:

    • Cirurgia de correção caso seja indicado por um profissional especialista na área (no caso específico o oftalmologista);
    • Lentes de aumento para facilitar a leitura;
    • Livros que se proponham a ser adaptados com letras maiores, maior espaçamento, figuras, mas que não percam por isso seu valor em conteúdo;
    • Óculos ou lentes de contato específicas para a leitura;
    • Grupos de leitura mediados por alguém que possa ajudar os idosos;
    • Ler menos, de modo que não seja uma atividade cansativa, porém com regularidade;

     

    E por aí vão infinitas possibilidades de produzir ajustes diante de determinada dificuldade trazida pelo processo de envelhecimento…

    É claro que a opção e a efetividade de cada ação irá variar de acordo com a história de vida de cada um. Aquilo que funciona para um pode muito bem não funcionar para outro, mas a manutenção de um estado de inércia pode por vezes acometer boa parte daqueles que passam por isso.

    Por outro lado, os anos na bagagem que foram possíveis graças as transformações e avanços nas áreas de saúde, trazendo maior qualidade de vida; também trouxeram diferenças culturais que podem produzir o sentimento de não pertencer mais a um grupo ou mesmo se sentir um peixe fora d’água.

    Falas como “No meu tempo era muito diferente” podem estar escondendo sofrimento suficiente naqueles que gostariam de dizer “Como é difícil me adaptar a tantas mudanças da era atual”, mas que muitas vezes não tem espaço ou escuta para isso.

    Outros discursos como reclamar de solidão, quando se está rodeado por outras pessoas, podem estar mascarando o quanto vivenciar atividades diferentes daqueles que os rodeiam ou menos afazeres os levam a ter menos relações sociais significativas, sentirem-se pouco úteis e até mesmo desamparados.

    Coletivamente, alguns desses discursos são reproduzidos e até reinventados com alguma função. Um chefe pode de alguma forma impor que a manutenção dos funcionários na empresa se dará somente se esses aceitarem o valor instituído por ela. Colaboradores podem passar a reproduzir tal discurso sem se dar conta de fato do que ele representa e até mesmo a despeito dele lhe trazer angústia, sofrimento ou ir de encontro a seus valores pessoais.

    Muitas vezes o discurso velado nos mantém aprisionados de modo que não pensamos sobre a experiência e não produzimos muito para promover benefícios a partir dela.

    Refletir e desconstruir alguns desses discursos poderá libertar muitos de situações desconfortáveis, sofridas e frustrantes.

    Convido você que chegou até aqui a parar por um minuto e pensar se possui algo que possa estar te aprisionando.

    Caso tenha achado, peço que:

    Repense, produza, intervenha e experiencie novas formas de se relacionar com isso de modo que consiga produzir mais benefícios em sua vida!

    Tenho certeza de que não será fácil, mas vejo esta como uma alternativa bastante promissora e libertadora.

    Caminho que provavelmente te ajudará a Viver Bem Mais Além…

  • 2 comments

    Muito bom!

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    Muito interessante .

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