• Se existe algo que não aprendemos nos livros é que o tempo passa… Vivemos o dia a dia de nossa vida investindo em produzir, trabalhar, estudar, casar, ter filhos, etc. Enchemo-nos de tantas atividades cotidianas… E a vida passa em um piscar de olhos!

    Eis que um dia aposentamos, viramos avós e nos chegam os primeiros cabelos brancos. O corpo não responde como antes, nem tampouco a memória. Dizem que até os 30 os hormônios nos levam adiante, mas depois, quando começam a decrescer, temos de trabalhar por eles.

    Diante de tudo isso um olhar se torna necessário em nossa sociedade pós-moderna: o olhar atento à longevidade e seus desafios!

    Em termos estatísticos com a vinda da tecnologia e melhorias dos tempos, estamos vivendo mais. Segundo dados do IBGE1, a expectativa de vida do brasileiro em 2014 subiu para 75,2 anos; contrapondo-se a 66 anos em 1991. Em cerca de 22 anos o brasileiro passou a viver quase dez anos a mais! Uau! São dez anos a mais de produção, estudo, convivência, casamentos, filhos, netos, bisnetos e por aí vai…

    São dez anos a mais de vida, certo?

    Na prática a matemática não é tão exata quanto parece. Embora viva-se mais atualmente, essa vida nem sempre tem sido desfrutada da forma mais proveitosa possível.

    E ainda que o maior número de anos seja excelente na perspectiva da saúde, eles também podem representar alguns desafios para seus protagonistas.

    Um dos significados da palavra “desafio” no dicionário da língua portuguesa2 é “o ato de instigar alguém para que realize alguma coisa, normalmente, além de suas habilidades”.

    Dentro dessa perceptiva superar desafios na terceira idade seria olhar para essa fase aceitando que mudanças ocorreram e passa a ser necessário aprender a conviver com elas.

    Dentre as principais questões que essa fase pode trazer, encontramos:

    • O corpo que não responde mais da mesma forma; podendo nos levar a conviver com dores, doenças crônicas, diminuição da percepção dos sentidos e outras dificuldades.
    • As relações que outrora foram mediadas por outros arranjos como trabalho ou filhos em idade escolar, os quais exigiam que alguns repertórios fossem desenvolvidos, agora não mais acontecem com tanta frequência.
    • Dificuldades pessoais ignoradas por uma vida inteira ocupada podem vir à tona quando essa vida se torna menos cheia de obrigações e afazeres.

    E talvez essa lista pode ser multiplicada a partir da história de vida e singularidade de cada ser humano que entre nessa fase.

    Nesse sentido, uma proposta ser faz necessária para que tais ocorrências não afetem de modo negativo e prejudicial uma fase da vida que pode sim ser apreciada e curtida tanto como as outras.

    Skinner3 (1985), psicólogo americano renomado, compara a velhice como sendo em parte como um outro país. Ele assume que é possível viver bem lá se se preparar com antecedência.

    Mas como se preparar para algo que ainda não chegou ou até mesmo se ela já está batendo a porta? Tem receita de bolo? As dificuldades são as mesmas? E todo mundo vai passar por isso?

    Certamente que não!

    Como somos seres complexos e cheios de idiossincrasias podemos até passar por circunstâncias parecidas, mas a forma como vamos lidar com elas depende das nossas experiências passadas.

    Por isso convido você, caso tenha algum interesse pelo tema, esteja vivendo tais desafios ou conhece alguém que passa por isso a vir comigo nessa jornada de reflexão e produção para vivermos bem mais além.

    Mas quem é essa pessoa que te faz esse convite e o que ela propõe nesse contexto?

    Meu nome é Ana Paula Moraes, sou psicóloga e ajudo as pessoas a viverem de forma emocionalmente mais saudável e se prepararem para curtir a longevidade.

    Sou especialista em psicologia clínica comportamental e ofereço serviços de psicoterapia para terceira idade, com foco em desenvolvimento pessoal nessa fase, preparação para aposentadoria, programa para aprender a lidar com o luto e questões relacionadas a sexualidade nesse período da vida.

    Lancei recentemente o projeto “Viver bem mais além…” com o objetivo de refletir acerca de desafios enfrentados pela longevidade. Com isso pretendo contribuir para minimizar dificuldades para as pessoas que vivenciam este momento, principalmente de âmbito emocional.

    Além disso, acredito que produzir e divulgar conhecimento nessa área pode ajudar cuidadores ou aqueles que convivem com esse público em suas relações.

    Ainda profissionais de saúde ou prestadores de serviços a esse público são bem-vindos em nossas discussões com o intuito de promover respeito e educação para cidadania em relação ao idoso.

    E como cheguei até aqui?

    Minha trajetória em psicologia passou por diferentes públicos. A minha motivação inicial foi trabalhar com a dependência química por isso a escolha da psicologia.

    Com o passar dos anos, experiência na área e muita psicoterapia percebi que meu olhar para esse público veio principalmente por um amor e desejo de ajudar os familiares que vivenciavam essa dificuldade, principalmente os mais próximos da terceira idade.

    A prática clínica em consultório dentro da abordagem comportamental me levou a perceber como é prazeroso contribuir para o desenvolvimento de pessoas que pelos anos de vida, são dotadas de experiências e nos levam a aprender tanto nas trocas das relações terapêuticas.

    Mais de que uma escolha pelo público fui escolhida por ele!

    Assim, convido você a acompanhar este trabalho mesmo que não tenha interesse nos serviços oferecidos. Afinal de contas um futuro mais promissor, atraente e bem vivido requer atenção.

    E quem não deseja isso?

    Adianto que neste ambiente vamos disponibilizar possibilidades, ferramentas, reflexões, debates e utilizaremos nossa experiência para o desenvolvimento de idosos mais realizados, felizes e produtivos.

    Será ótimo sermos aliados nessa proposta!

    Vem comigo ajudar o mundo a “Viver bem mais além…”!

    Abraço carinhoso!

     

    Referências

    1. IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/apps/populacao/projecao/>. Acesso em: 10 jul. 2006.
    2. FERREIRA, A. B. H. Aurélio século XXI: o dicionário da Língua Portuguesa. 3. ed. rev. e ampl. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999.
    3. SKINNER, B. F. VAUGHAN, M. E. Viva Bem a Velhice. São Paulo: Summus, 1985.